segunda-feira, 23 de setembro de 2013

II ENCONTRO PEDAGÓGICO LATINO - AMERICANO E IX CONFERÊNCIA DA INTERNACIONAL DA EDUCAÇÃO PARA A AMÉRICA LATINA.


Na abertura do II Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, que reúne aproximadamente 700 educadores da América Latina e do mundo em Porto de Galinhas, no Recife, o presidente da CNTE, Roberto Leão, falou sobre os desafios que os educadores do continente enfrentam e da importância do debate para a construção de um alinhamento pedagógico conjunto.
"Precisamos construir uma pedagogia independente que seja realmente libertadora dos povos da América. Todos os países do continente tem uma história de muita luta e determinação, que sem dúvida contribuem para o nosso objetivo que é chegar a uma América justa", afirmou Leão.
O presidente da CNTE lembrou que 2013 marca os 50 anos da experiência de Paulo Freire em Angicos, no Rio Grande do Norte, quando o professor alfabetizou 300 trabalhadores em 40 horas, considerada como marco do método Paulo Freire, uma alfabetização que, sobretudo, ajudava o aluno a pensar o mundo.
"Ele pôs em prática uma maneira de alfabetizar que fazia com que as pessoas que viviam marginalizadas tivessem acesso a uma forma bastante simples, mas não mecânica, que conscientizava as pessoas, se libertassem, deixassem de serem adestradas para serem pessoas capazes de ser protagonistas do seu destino", disse Leão.

Estados Unidos e Suécia compartilham experiências no Movimento Pedagógico Latino-Americano

Ultrapassando fronteiras regionais, o segundo dia do Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano contou com relatos de experiências de sindicatos dos Estados Unidos e Suécia.
Lily Eskelsen Garcia, vice-presidenta da NEA – National Education Association e Louis Malfaro, vice-presidente da AFT – American Federation of Teachers, ambos dos Estados Unidos, falaram sobre a situação atual da educação americana e como ela se relaciona com a realidade da América Latina. Lily lembrou que todos os educadores precisam estar juntos na luta, conscientes sobre qual caminho tomar. "Globalização, privatização, padronização, devemos lutar contra as mesmas lideranças do mundo que querem transformar nossas escolas numa grande empresa, o maior pesadelo de Paulo Freire", afirmou.
Segundo Louis Malfaro, a educação nos Estados Unidos está sofrendo pressões econômicas e sociais que tornam cada dia mais difícil a atuação do professor. Escolas estão fechando em Chicago, Filadelfia e muitos outros estados, professores estão sendo demitidos, programas estão sofrendo cortes e disciplinas como arte e história tem sido eliminadas do currículo.
"Os professores se sentem desmoralizados e estamos avançando para uma realidade que vocês conhecem bem. Os sistemas escolares estão cada vez mais precários e contam cada vez menos com o apoio dos governos. Essa moda dos testes de desempenho é outro problema. Estamos convencidos de que o melhor a se fazer para melhorar a educação é valorizar os professores e toda a comunidade escolar", disse Louis.
Ina Eriksson, do sindicato de trabalhadores em educação da Suécia (Lararforbundet), lembrou que os eixos temáticos que estão sendo discutidos no Movimento Pedagógico são questões que trazem grande inquietude e são as mesmas que eles discutem no seu país. "Como diz aquela canção, o espírito do nosso trabalho é ser um eterno aprendiz. Por isso sempre acompanhamos esses debates e queremos saber como podemos construir o currículo escolar para defender o futuro das crianças que tem o direito de se desenvolver plenamente", finalizou Ina.


Emir Sader: “a educação precisa ser atraente para os jovens”

O convidado do dia, o professor, sociólogo e doutor em ciência política Emir Sader, defendeu uma educação emancipadora, que combata a alienação. Para Emir, é fundamental que a escola seja capaz deoferecer ao aluno uma compreensão subjetiva e objetiva do mundo.
O pesquisador lembrou que, no sistema capitalista, o trabalhador constrói a riqueza do planeta mas não decide o seu destino e não se reconhece nela. Sobretudo, a educação precisa atrair os jovens, que se veem tão afastados do modelo de ensino atual.

O presidente da Internacional da Educação para a América Latina, o argentino Hugo Yasky, celebrou a oportunidade de consolidar o movimento pedagógico latino-americano na terra de Paulo Freire e fez um balanço dos desafios que os educadores enfrentam na região, como governos opressivos, caso da Colômbia, que continuamente ameaça educadores e representantes do povo, caso da senadora Gloria Ramírez, presente no encontro da Rede de Trabalhadoras para a Educação, que antecedeu o encontro.
"A docência deste continente está de pé neste momento. Este é o ponto mais alto dos trabalhadores da educação da América Latina. A resistência que tivemos que ter, passando por ditaduras e pelos governos neoliberais da década de 90, nos coloca num momento favorável para consolidarmos a democracia e lutar por mais igualdade social, um avanço que conquistamos na luta", afirmou Hugo.
Na essência do Movimento Pedagógico Latino-Americano está o objetivo de propor uma educação que seja integral, liberadora, inclusiva, solidária, com equidade de gênero, laica, gratuita e garantida pelo Estado como um direito social.
Disputando a organização da educação com as esferas de poder e participando ativamente da formulação de políticas públicas, a educação da América Latina passa por um momento de pensar na necessidade de lutar por mais recursos.
"Diferente dos anos 90, em que apontavam que o problema não era a falta de recursos, mas a eficiência da aplicação desses recursos, encontramos agora um discurso de que as verbas são insuficientes e precisamos obter mais capacidade de investimento público para garantir o acesso pleno à educação", afirmou.
Só assim, afirma Abicalil, é possível superar a manipulação do cidadão e a concorrência massiva dos meios de comunicação que costumam tomar a maior parte do tempo da vida do aluno, como a televisão e a internet, que podem deixar a escola em segundo plano.
"Precisamos ser protagonistas de uma época, reivindicando uma sociedade democrática, o diálogo público e também o protesto. A mudança sempre opera mais lentamente do que desejamos. É fundamental criarmos estes espaços de análise e não termos medo da mudança, passo importante para superar o clientelismo", finalizou.

Publicado no Site da CNTE em Setembro 2013 .

Nenhum comentário:

Postar um comentário