sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Doenças da voz e da mente são as que mais afetam os trabalhadores da educação


Os problemas de saúde que afetam a vida dos/as trabalhadores em educação 
há muito tempo vem sendo denunciados pela CNTE. Um ponto da pauta de reivindicação que
 sequer é levado em consideração pelo governo na mesa de negociação.


Os afastamentos não acontecem da noite para o dia, eles são consequência de 
fatores ligados à atividade docente tais como sobrecarga de trabalho, 
responsabilidade excessiva, falta de apoio e expectativas excessivas próprias ou 
de pessoas que o cercam; falta de estimulo, tédio, solidão, ruídos, alterações do sono,
 falta de perspectivas, mudanças constantes determinadas pelos gestores, negligência 
com as condições ergonômicas na organização do trabalho, que invariavelmente comprometem 
física e psicologicamente os professores.

Segundo o pesquisador Benevides-Pereira, o desgaste físico e emocional a que os professores 
estão submetidos em seu ambiente de trabalho e na execução de suas tarefas, é determinante
 nos casos de transtornos relacionados ao estresse, como as depressões, transtornos de 
ansiedade, fobias, distúrbios psicossomáticos e a síndrome de Burnout. "Freudenberger (1974)
 considera a síndrome de Burnout um estado de esgotamento ou exaustão resultante de grande
 dedicação e esforço no trabalho, onde o indivíduo afasta ou deixa de lado as suas próprias 
necessidades. Suas principais manifestações estão relacionadas ao rebaixamento da autoestima, 
o esgotamento levando ao absenteísmo".

É consenso na literatura especializada, que a categoria dos professores é a mais afetada
 pelos fatores que apontamos acima. Mesmo assim o governo ao invés de procurar entender 
a raiz do problema, busca a maneira mais simples de contornar-lo, que é apurar dados 
e apontar culpados. Não foram e não são poucas as afirmações por parte de gestores que, 
o desânimo, a falta de motivação e interesse e o descaso em relação ao trabalho, são apenas 
"preguiça", "dissimulação" ou, outros termos depreciativos.

De acordo com pesquisadores/as "este parece ser um dos aspectos que leva 
o indivíduo a lutar contra a síndrome de Burnout (à medida que não reconhece a sua 
existência), não percebendo que está se esgotando cada vez mais, ampliando o seu 
sentimento de desistência não só do trabalho, mas também da própria vida".

Para a mestre em Psicologia pela UFRJ, Elaine Juncken, as consequências vão além da queda
 na qualidade do trabalho. "O professor pode abandonar a carreira e, em casos extremos, 
as doenças podem levar o profissional ao suicídio".

Diante do aumento dessas doenças no magistério Catarinense, o SINTE/SC assessorado 
pelo Professor Doutor em Saúde Pública da USP, Herval Pina Ribeiro, especialista em
 saúde do trabalho, que fez uma grande pesquisa acerca do assunto, afirmou que, 
estima-se que 8,5% (oito milhões de pessoas) da população brasileira
 economicamente ativa, acima de 18 anos, são vulneráveis a transtornos vocais por s
erem obrigados a utilizar a voz como instrumento de trabalho, além disso, transtornos 
mentais e comportamentais são associados aos problemas vocais.
Pelas estatísticas do Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, entre 2005 e 2010 
os transtornos mentais ascenderam e passaram a ocupar o 2º lugar entre os grupos 
de doenças do trabalho notificadas aos INSS, órgão que não inclui os 11 milhões de 
trabalhadores públicos, entre os quais estão os professores da rede estadual de ensino.

Para o Professor, a hipótese é que os transtornos coletivos da saúde metal e da voz 
dos trabalhadores públicos contemporâneos, em especial dos de educação, 
"são expressões de uma enorme e crescente degradação do trabalho, cujas evidências 
são as condições de trabalho que o Estado lhes impõe, a jornada que lhes obriga 
o salário que lhes paga".

Entendemos que a situação é grave, e é preciso criar mecanismos de prevenção a essas 
doençascom ações que passam, principalmente, por uma profunda análise das 
péssimas condições de trabalho, as quais os trabalhadores em educação são submetidos.

O Governo deve pensar em políticas públicas que de fato atendam esses trabalhadores, 
para que eles possam ter qualidade de vida. 

(SINTE/SC) Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013 - 12:35h (adaptado  pelo  SINTERPUM em 18/01/2013)


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